Dia mundial da pesca: um setor que resiste sem ter o que comemorar
O Dia Mundial da Pesca, celebrado em 21 de novembro, deveria ser uma oportunidade para valorizar um dos alimentos mais saudáveis e importantes para a segurança alimentar do país. O peixe é fonte de proteína de alta qualidade, essencial para a nutrição das famílias brasileiras e para a promoção da alimentação saudável. Mas, neste ano, a data chega com um sentimento amargo para toda a cadeia produtiva da pesca e da aquicultura: não há o que comemorar.O setor enfrenta um acúmulo de obstáculos que revela não apenas descaso, mas uma completa falta de estratégia nacional para fortalecer a produção brasileira. Desde 2017, quando o Brasil perdeu acesso ao mercado da União Europeia — um dos principais destinos mundiais de pescados — a indústria acumula prejuízos e enfrenta barreiras que nunca foram solucionadas. Este episódio, ainda sem resposta clara do governo, simboliza como o pescado não é tratado como prioridade nas relações internacionais.Agora, a exclusão do pescado da lista de setores beneficiados pelo governo dos Estados Unidos, mantendo o tarifaço que penaliza nossas exportações, é mais um golpe para uma indústria que já opera com margens apertadas e disputa espaço com concorrentes globais.No plano interno, a situação tampouco é melhor. O governo decidiu classificar a tilápia — principal peixe cultivado no Brasil e base de milhares de empregos — como espécie invasora, sufocando produtores nacionais ao mesmo tempo em que estimula a importação do mesmo produto de outros países. A mensagem é clara: penaliza-se quem produz no Brasil e recompensa-se quem compete com a nossa indústria.Soma-se a isso a pressão crescente do Ibama, com decisões unilaterais, insegurança jurídica e uma política punitivista que impede investimentos, paralisa projetos e trava a expansão sustentável da pesca e da aquicultura. Empresas não conseguem previsibilidade e vivem sob constante ameaça de mudanças repentinas na regulação.No campo tributário, as mudanças trazidas pela reforma tributária deixaram o setor pesqueiro em posição ainda mais vulnerável, criando distorções que atingem desde a indústria de processamento até os produtores artesanais e que, em vez de incentivar o consumo de alimentos saudáveis, tornam o ambiente de negócios mais caro e mais difícil.Por tudo isso, neste Dia Mundial da Pesca, a palavra de ordem não é celebração — é resistência. O setor segue firme, sustentando comunidades, gerando empregos, abastecendo as famílias brasileiras e movimentando a economia, mesmo diante de tamanha adversidade.A luta pela sobrevivência da indústria pesqueira brasileira é diária. E permanece firme o compromisso de defender um setor essencial para a saúde pública, para a segurança alimentar do país, para o desenvolvimento regional e para milhares de famílias que dependem da pesca para viver.Associação Brasileira das Indústrias de Pescados
Por Redação ABIPESCA
20/11/2025·2 min de leitura

As exportações brasileiras de pescado alcançaram a marca histórica de US$ 2,3 bilhões no primeiro semestre de 2026, segundo levantamento divulgado pela ABIPESCA. O resultado representa crescimento de 14% em relação ao mesmo período do ano anterior e consolida o Brasil entre os principais fornecedores globais de proteína do mar.
O desempenho foi puxado, sobretudo, pela demanda crescente dos mercados asiáticos e do Oriente Médio, que ampliaram as compras de camarão cultivado e tilápia. A valorização cambial e os investimentos em rastreabilidade e certificação sanitária também contribuíram para abrir novas praças.
Camarão e tilápia lideram a pauta
O camarão cultivado respondeu por cerca de 38% do valor exportado, seguido pela tilápia, que dobrou sua presença em mercados premium. A aquicultura, hoje, é o segmento que mais cresce dentro da cadeia, com expansão sustentável de fazendas no Nordeste e no Sul do país.
“O Brasil deixou de ser coadjuvante e passou a disputar contratos de longo prazo com os maiores importadores do mundo. É uma virada estrutural.”
— Diretoria da ABIPESCA
Para a entidade, o desafio agora é manter a competitividade com investimentos em logística de frio, energia e infraestrutura portuária, além de avançar na agenda de sustentabilidade exigida pelos compradores internacionais.
Perspectivas para 2027
As projeções apontam para um crescimento de dois dígitos também no próximo ano, caso o cenário macroeconômico se mantenha favorável. A ABIPESCA defende uma política nacional de incentivo às exportações e a simplificação de processos sanitários para acelerar a abertura de novos mercados.
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