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ABIPESCA leva ao Ministério da Agricultura demandas por reabertura do mercado europeu e proteção à tilapicultura

Entidade defende articulação para acelerar resposta da União Europeia após missão de auditoria e alerta para impacto do crescimento das importações de tilápia sobre a produção nacional

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Por Redação ABIPESCA

13/08/2026·3 min de leitura

ABIPESCA leva ao Ministério da Agricultura demandas por reabertura do mercado europeu e proteção à tilapicultura

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (ABIPESCA), Eduardo Lobo, e representantes de empresas associadas reuniram-se nesta quarta-feira (12) com o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), Augusto Luis Billi, para tratar de duas pautas consideradas estratégicas para o setor: a retomada das exportações brasileiras de pescados para a União Europeia e os impactos do crescimento das importações de tilápia sobre a cadeia produtiva nacional.

Na questão europeia, a entidade entende que o momento exige uma articulação institucional para acelerar a conclusão do processo e buscar a retomada das exportações. A preocupação é evitar que o relatório da missão e as etapas subsequentes acabem submetidos apenas aos prazos ordinários de tramitação. “Agora precisamos de um esforço para que esse relatório retorne o mais rapidamente possível e para que o processo avance”, destacou o presidente da ABIPESCA.

A entidade também defendeu que as especificidades sanitárias do pescado sejam consideradas nas tratativas com os europeus, permitindo que eventuais pendências relacionadas a outras cadeias de proteína animal não impeçam o avanço do setor pesqueiro.

Importações de tilápia preocupam setor

Outro tema central da reunião foi o crescimento das importações de tilápia e seus efeitos sobre uma cadeia produtiva que vinha registrando forte expansão no Brasil.

Lobo apresentou ao secretário a preocupação da indústria com o volume de filés importados, especialmente do Vietnã. Segundo o presidente da ABIPESCA, quando se iniciaram as relações comerciais com o Vietnã, a expectativa do setor era de uma entrada próxima de 300 toneladas de filé de tilápia por mês, volume considerado administrável pela cadeia nacional. No entanto, as importações teriam alcançado aproximadamente 1,8 mil toneladas mensais.

“Estamos falando de um volume seis vezes superior ao que se imaginava inicialmente. Isso teve um impacto direto nas decisões de investimento. Projetos de expansão que estavam previstos acabaram sendo paralisados diante da insegurança sobre o comportamento do mercado”, explicou.

Durante o encontro, Eduardo Lobo ressaltou a representatividade da ABIPESCA nas diferentes cadeias do pescado, reunindo empresas ligadas à pesca extrativa, carcinicultura, piscicultura, tilapicultura e indústria de processamento, inclusive companhias fortemente voltadas à exportação.

“O Brasil construiu uma cadeia de tilapicultura que cresce de forma consistente e tem enorme potencial. Precisamos garantir condições para que ela continue investindo, produzindo e gerando empregos. Não se trata de fechar o mercado, mas de encontrar mecanismos que assegurem equilíbrio e previsibilidade para quem produz no país”, afirmou.

Para a ABIPESCA, as duas agendas discutidas no MAPA estão diretamente relacionadas à competitividade internacional do pescado brasileiro: de um lado, ampliar mercados e recuperar destinos estratégicos para as exportações; de outro, assegurar condições para que a produção nacional continue crescendo diante do aumento da concorrência externa.

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